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III TRANSFORMARE - SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CENTRO FRANCO BRASILEIRO DE PESQUISAS AVANÇADAS EM INOVAÇÃO, ORGANIZAÇÕES E SUSTENTABILIDADE

Estarei apresentado o seguinte trabalho:

Responsabilidade social interna, saúde do trabalhador e Estado: refletindo sobre o papel social e educativo da legislação na efetivação de políticas e na formação em gestão

Aguardem os Anais.
                                            Daniela

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III TRANSFORMARE 
SEMINÁRIO DE PESQUISA DO CENTRO FRANCO BRASILEIRO DE PESQUISAS AVANÇADAS EM INOVAÇÃO, ORGANIZAÇÕES E SUSTENTABILIDADE

Realização: Programa de Pós Graduação em Administração da UNIMEP através do Grupo de Estudos Organizacionais e Gestão de Pessoas – GEOGEP

Coordenação: Dalila Alves Corrêa – PPGA-UNIMEP

                       Isabella Freitas Gouveia de G Vasconcelos – PPGA – FEI

Local: Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP, Campus Taquaral Piracicaba/SP


Data: 18 e 19 de junho de 2012

Saiba mais sobre o evento em : http://www.transformare.adm.br/?page_id=22




A Relação Prazer e Sofrimento no Trabalho em Serviço Público e o Desafio da Reflexão Conjunta entre a Gestão de Pessoas e a Saúde Mental no Trabalho (completo)

Daniela Cristina dos Santos
Dalila Alves Corrêa
João Petrúcio Medeiros da Silva
Marcela Hipólito de Souza e Silva 

Trabalho apresentado nos seguintes eventos (em ambos constam em Anais) 

VI Colóquio Internacional de Psicodinâmica e Psicopatologia do Trabalho/  I Congresso da Associação Internacional de Psicodinâmica e Psicopatologia do Trabalho.  Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Faculdade de Medicina desta Universidade e a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. São Paulo-SP (2010)

 8º. Congresso de Pós-Graduação na 8ª. Mostra Acadêmica da UNIMEP. Tema : “Desafios da Educação Superior na Agenda do Novo Milênio”. Piracicaba-SP, UNIMEP. (2010)



RESUMO

A proposta deste trabalho é estimular a reflexão sobre a importância e os desafios da promoção da saúde mental no trabalho, através do dialogo interdisciplinar entre a Psicodinâmica do Trabalho e a Gestão de Pessoas. Através de uma reflexão teórica tendo como contexto o serviço público, discutimos o papel do sofrimento do trabalho que pode ser caminho de crescimento quando pode ser assumido, bem como de adoecimento, quando negado pelas normas disciplinadoras presentes no modelo burocrático de gestão. O principal desafio neste dialogo, é o dialogo desarticulado entre  pesquisadores e profissionais.

Palavras-chave. Gestão de pessoas, psicodinâmica do trabalho, gestão social
 



INTRODUÇÃO

Neste trabalho propomos uma reflexão sobre como pensar a promoção da saúde mental no trabalho através da aproximação interdisciplinar entre a Psicodinâmica do Trabalho e a Gestão de Pessoas, visto que não há como esta promoção ser possível sem um diálogo efetivo, uma vez que tanto na literatura quanto na prática profissional constata-se que a qualidade da saúde mental do trabalhador está estreitamente relacionada com as políticas e práticas de Gestão de Pessoas. A área organizacional, através da Gestão de Pessoas, pode se tornar possibilidade de resolutiva e não ser apenas vista como parte do problema no processo de sofrimento mental do trabalhador, uma vez que em seus diversos processos encontramos os elementos de ligação entre a organização e o individuo enquanto prática, entre a administração de empresas e a saúde no trabalho enquanto área de conhecimento, que determinam a vivencia da relação prazer e sofrimento no trabalho.
Por se caracterizar também como um campo complexo, a saúde mental no trabalho demanda o diálogo interdisciplinar para se compreender a relação entre trabalho, saúde e subjetividade. Superar o modelo cartesiano diante de objetos e situações complexas favorece a produção de conhecimento e a criação de estratégias de intervenção. (Santos e Correa, 2007) A interdisiciplinariedade se refere a uma situação de troca e interação entre duas ou mais disciplinas (mas não de simples sobreposição), diante de objetos dinâmicos, que não podem ser rotulados e que não se revelam inteiramente, exigindo uma forma de pensar complexa, que só é possível com a mudança de pensamento, uma visão de objeto de estudo em contexto, e uma postura dialética capaz de unir conceitos até então antagônicos e compartimentalizados. (Santos, 2007; Vasconcellos, 2003). Para tanto traz como desafio a necessidade do aprendizado da cultura e linguagens de várias disciplinas e o confronto com o conhecimento disciplinar já estabelecido, estabelecendo novos paradigmas e novas abordagens metodológicas e conceituais. (Santos, 2007).
A Psicodinâmica do Trabalho se apóia nos conhecimentos de psicanálise, da teoria social e da relação entre trabalho e saúde mental. Procura compreender a vivencia subjetiva do trabalhador a partir da tensão entre o prescrito e o real, presente na organização do trabalho e nas relações sociais inerentes ao trabalho.  Esta vivencia subjetiva é intermediada pela afetividade da pessoa, aciona defesas e potencialidades individuais e coletivas e é vivida e sentida a nível psíquico e de corpo. Nesta relação afetiva a pessoa se descobre como ser humano, entra em contato com as limitações presentes em si próprio e nas situações. Inicialmente a Psicodinâmica nasce da clinica, mas no momento presente também tem dialogado com outras áreas de conhecimento como as ciências sociais. (Deranty, 2008; Dejours, 2004)
O ponto que destacamos na psicodinâmica é a potencialidade existente no sofrimento experimentado no processo continuo de reinvenção do trabalho, para torná-lo possível. A experiência de trabalho só acontece de fato e se torna uma experiência subjetiva construtiva, quando entre o prescrito e o real , nos eventos não previstos e relações pessoais que tensionam esta relação, a pode-se encontrar e criar estratégias de resistência e transformação a partir do real. O sofrimento é intermediado pela experiência afetiva, que é a impressão subjetiva da realidade e é o ponto de partida de conquista e engrandecimento do mundo e de si mesmo.(Dejours, 2004) De acordo com Brant e Minayo-Gomez (2004) o sofrimento se transforma em dor e adoecimento quando  sua presença não é aceita no processo de trabalho, porque denuncia situações de dominação e resistência, de prazer e dor presentes na gestão do trabalho. A partir de interesses disciplinares no ambiente de trabalho, não são consideradas a dimensão cultural implícita no discurso de sofrimento do trabalhador, mas se reduz a uma ação de medicalização e rótulos de patologias, muitas vezes com a conveniência de gestores e médicos que atuam num processo de convencimento das famílias para fins de afastamento deste trabalhador. A conseqüência disso pode ser refletida através do estudo de Deranty (2008) sobre a sensação de precarização da existência que as pessoas individual e coletivamente experimentam a partir das mudanças dos processos de trabalho. Este autor faz uma releitura de Dejours discutindo a sua importante contribuição para a teoria social contemporânea e os diálogos possíveis da psicodinâmica com esta área de conhecimento. Em linhas gerais é debatida a visão de Dejours de que as patologias individuais e sociais decorrentes desta precarização  a destruição de laços sociais e da psique, a presença da mentira, da negação da realidade e do sofrimento não poder ser dito. 
Diante do exposto o entendimento do papel da afetividade e do sofrimento do trabalho, bem como da escuta e valorização da percepção do trabalhador, abrem caminhos de possibilidade de uma efetiva promoção da saúde mental em conjunto entre as áreas de saúde e gestão. Porém esta possibilidade traz consigo desafios teórico-práticos importantes que apresentamos a seguir.


OBJETIVO:  proporcionar reflexão teórica sobre a relação saúde mental e trabalho na relação entre psicodinâmica do trabalho e a gestão de pessoas

DESENVOLVIMENTO

Metodologia

Estudo exploratório, descritivo, de caráter teórico considerando-se pesquisas sobre servidores públicos, a relação gestão, trabalho e saúde mental, a visão do serviço público e as peculiaridades dessa atividade.
 
RESULTADOS E DISCUSSÃO

A Gestão de Pessoas se dedica pouco a reflexão de seu papel nas práticas de Qualidade de Vida no Trabalho na administração pública. Também de acordo com Thoenig  (2007) constata-se a nível internacional nos últimos anos um declínio de interesse de pesquisas na área de estudos organizacionais voltados para a administração pública, portanto esta é uma área relevante de pesquisa, inclusive para o pleno entendimento da própria burocracia, uma vez que é o modelo ainda mais encontrado e pesquisado na gestão pública. (Feeney e Dehart-Davis, 2009; Motta, 2007; Secchi, 2007, Maximiano, 2004). O modelo burocrático por suas características como a pouca margem de negociação entre trabalho prescrito e trabalho real, a padronização das tarefas, a impessoalidade e a separação entre planejamento e execução (Feeney e Dehart-Davis, 2009; Motta, 2007; Oliveira, 2007; Secchi, 2007, Maximiano, 2004) de forma geral costuma ser associado como limitador do trabalhador em vários aspectos, mas estudos como de  Feeney e Dehart-Davis, (2009) de como a percepção do controle burocrático influencia o comportamento de funcionários públicos, encontraram resultados interessantes de que podem existir pontos positivos neste modelo, ou seja, a questão não é apenas eliminar a burocracia.
Carneiro (2006) afirma que a administração pública tem dificuldade em lidar com a saúde do trabalhador, considerando-a responsabilidade apenas da área de saúde, limitando as ações em pericias médicas, de forma isolada sem uma proposta em saúde do trabalhador que de fato interfira no ambiente e na organização do trabalho. Para o autor a saúde do trabalhador é uma atribuição fundamental da gestão de pessoas, pela possibilidade de respostas e intervenções nos ambientes de trabalho que não estão ao alcance do setor de pericias médicas. No entanto estas temáticas não fazem parte da capacitação gerencial em administração pública.  Como reflexo da falta desta temática na formação de gestores públicos, e de que os servidores em situação de sofrimento adoecem e são excluídos do seu ambiente podem ser vistos em dados como os da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0) que aponta que o maior índice de benefícios auxílios-doença previdenciários concedidos no mês de agosto de 2009, aos servidores públicos, são relativos aos transtornos mentais e comportamentais (BRASIL, 2009) e o estudo de Cunha, Blank e Boing (2009) que analisando 40.370 afastamentos em servidores públicos estaduais (São Paulo e Santa Catarina) constataram um decréscimo nas taxas de afastamentos, porém com aumento da média de dias de afastamento, sendo predominantes os transtornos mentais (transtornos e episódios depressivos) e doenças do sistema osteomoscular . Além de inúmeras pesquisas focando categorias profissionais ou grupos funcionais, onde se percebe claramente a relação do adoecimento mental e fatores de gestão.
            No dialogo interdisciplinar entre saúde mental e gestão há de se pensar os seguintes momentos do processo de construção do conhecimento até sua aplicação: o momento de amadurecimento teórico que cada área de conhecimento se encontra, a construção conjunta do conhecimento entre pesquisadores e profissionais, e a implantação prática.
A área de Gestão de Pessoas de acordo com Lynham (2000) é relativamente nova e está em fase de amadurecimento teórico prático o que é fundamental para sua consolidação. Por ser uma ciência aplicada sua construção teórica precisa de múltiplas perspectivas de pesquisa, bem como de uma reflexão profunda no pensamento filosófico que sustenta a teoria e a da sua transposição para a prática. Um ponto importante que o autor apresenta é que a construção do conhecimento na área aplicada é feita em conjunto entre pesquisadores e profissionais, mas que existe uma tensão que permeia esta relação, sobretudo por parte dos profissionais que não têm formação na área de pesquisa, e acabam se prendendo apenas aos seus aspectos utilitários, realizando críticas pouco positivas. De outro lado o pesquisador deve ter em mente que na pesquisa em conjunto, esta é uma expectativa que existe por parte dos profissionais e deve ser considerada. Short, Keefer e Stone (2009) fazem colocação semelhante de que as lacunas que existem na relação teoria e prática em Recursos Humanos, independente da área de atuação e dos tipos de interação que faz com outros profissionais, se devem a distancia entre pesquisadores e profissionais e a falta de formação destes últimos na área de pesquisa.
A partir da experiência acadêmica e profissional e da revisão de literatura pode-se traçar uma hipótese de que a dificuldade de resolutiva nas questões de sofrimento e adoecimento mental no trabalho,pode estar relacionada com uma construção de conhecimento teórico-prático ainda desarticulada entre as áreas de conhecimento gestão e saúde mental, a relação pesquisador e profissional,  e algo pouco falado que é  explorar a dimensão entre o real e o possível também na pesquisa em gestão e saúde mental.
 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A experiência da afetividade e do sofrimento também é uma realidade no processo de pesquisa e procurou-se externar de maneira construtiva através de uma proposta de reflexão a dificuldade experimentada na promoção da saúde mental no trabalho, que é real tanto na pesquisa como na vida profissional. 
A Psicodinâmica do Trabalho tem uma importante contribuição para a Gestão de Pessoas ao explicitar a existência do sofrimento e facilitar que a área de gestão aceite e inclua dentro das metodologias especificas de seus vários processos, os espaços de elaboração deste sofrimento. Já a Gestão de Pessoas tem um papel estratégico junto à Psicodinâmica, tanto no que se refere ao entendimento das estruturas organizacionais, através das teorias organizacionais, como também num aspecto fundamental, já que é a área responsável pela formação de novos gestores.  O momento é de se pensar uma proximidade maior de pesquisa entre essas áreas.
Mesmo diante de estruturas organizacionais mais rígidas, sempre haverá possibilidades de construção de conhecimento, pois como diz Dejours (2004, p.34) “Se o trabalho pode gerar o pior, como hoje, no mundo humano, ele pode, também, gerar o melhor. Isto depende de nós e de nossa capacidade de pensar as relações entre subjetividade, trabalho e ação, graças a uma renovação conceitual.”


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Brant, L.C., Minayo-Gomez, C. A transformação do sofrimento em adoecimento: do nascimento da clínica à psicodinâmica do trabalho. Ciência & Saúde Coletiva, 9(1):213-223, 2004

Brasil. Ministério da previdência Social – In. Auxílios-doença acidentários e previdenciários segundo os Capítulos da Classificação Internacional de Doenças - CID-10 e a estrutura da CNAE 2.0. Disponível em: <http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=502>

Carneiro, S. A. M . Saúde do trabalhador público: questão para a gestão de pessoas : a experiência na Prefeitura de São Paulo. Revista do Serviço Público Brasília 57 (1): 05-21 Jan/Mar,  2006

Cunha, J B, Blank, V LG.; Boing, A . Tendência temporal de afastamento do trabalho em servidores públicos (1995-2005). Rev. bras. epidemiol., vol.12, no.2, p.226-236. Jun/ 2009,

Dejours , C. Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, v. 14, n. 3, p. 027-034, Set./Dez. 2004

Deranty J.P. Work and the Precarisation of Existence. European Journal of Social Theory 11(4): 443–463, 2008

Feeney, M. K.; DeHart-Davis, L. Bureaucracy and Public Employee Behavior: A Case of Local Government. Review of Public Personnel Administration.Volume 29 Number 4. December , 2009, p.311-326

Ferreira, et al. Concepção e implantação de um programa de qualidade de vida no trabalho no setor público: o papel estratégico dos gestores. R.Adm., São Paulo, v.44, n.2, p.147-157, abr./maio/jun. 2009

Lynham, S.A. Theory building in the human resource development profession Human Resource Development Quarterly; Summer ; 11, 2; ABI/INFORM Global  pg. 159-178. 2000

Maximiano, A.C.A. Teoria geral da administração – da revolução urbana à revolução digital. 4ªed. São Paulo:Atlas. 2004

Motta , P. R. (2007) A modernização da administração pública brasileira nos últimos 40 anos. RAP Rio de Janeiro Edição Especial Comemorativa 87-96, 1967-2007

Santos, D. C.; Corrêa, D. A. Saúde mental no trabalho e a gestão de pessoas: uma discussão interdisciplinar. In: 6º. Congresso Nacional de Pesquisadores –CONAPE. Anais. São Carlos-SP: Centro Universitário Central Paulista/UNICEP. 2007

Santos M. S. Integração e diferença em encontros disciplinares. Revista Brasileira De Ciências Sociais - vol. 22 nº. 65. RBCS vol. 22 nº. 65 outubro/2007

Secchi, L. Modelos organizacionais e reformas da administração pública. RAP — Rio de Janeiro 43(2):347-69, MAR./ABR. 2009

Short, D.C.; Keefer,  J.; Stone,  S. J. The Link Between Research and Practice: Experiences of HRD and Other Professions. Advances in Developing Human Resources, Aug 2009; vol. 11: pp. 420 - 437.

Thoenig, J.C. Recuperando a ênfase na dimensão pública dos estudos organizacionais. RAP Rio de Janeiro Edição Especial Comemorativa 9-36, 1967-2007

Vasconcellos, M.J.E. Pensamento sistêmico: o novo paradigma da ciência. 2ª.ed revisada. Campinas,SP: Papirus, 2003














Avaliação da Qualidade de Vida no Trabalho Pela Perspectiva do Modelo de Walton em Um Grupo de Empresas da Cidade de Piracicaba-SP

DALILA ALVES CORREA
DANIELA CRISTINA DOS SANTOS

Resumo


O presente estudo aborda a temática Qualidade Vida no Trabalho no contexto das ações empresariais destinadas à geração de estratégias competitivas. Parte-se do pressuposto que esforços destinados à elevação da qualidade de vida no trabalho, por parte das empresas, estão associados à busca de produtividade e aumento da competitividade organizacional. O objetivo do estudo foi investigar esta temática no contexto de empresas da cidade de Piracicaba/SP. Optou-se por uma pesquisa descritiva, elaborada sobre os pressupostos do Modelo de Qualidade de Vida de Walton(1974). Trata-se de um modelo que fornece oito aspectos típicos do ambiente de trabalho, propiciando um diagnóstico amplo em contextos empresariais. Utilizou-se questionário padronizado, elaborado de forma a permitir seu preenchimento a partir da realidade de cada contexto investigado. Os resultados mostram que este é um assunto que se apresenta de forma bem diversificada entre as empresas que participantes sendo observado que empresas de grande porte e do setor metalúrgico mostram-se mais estruturadas em relação a qualidade de vida. Observou-se ainda que o cumprimento dos aspectos legal-trabalhistas é um dos mais presentes nos contextos pesquisados. O estudo pretende contribuir para o debate sobre Qualidade de Vida no Trabalho fornecendo informações sobre uma amostra de empresas locais.


Trabalho apresentado no XI SEMEAD Seminários em Administração -Empreendedorismo em Organizações, FEA-USP, agosto de 2008

Texto completo em (anais):


A Gestão de Pessoas na capacitação em Terapia Ocupacional em Saúde Mental no Trabalho: novas competências e mercados

DANIELA CRISTINA DOS SANTOS


Terapeuta Ocupacional, Pós-graduada MBA em Gestão Estratégica de Pessoas

Resumo


Em saúde mental no trabalho tanto a literatura como a prática profissional apontam a intervenção organizacional como essencial na promoção da saúde mental do trabalhador, por propiciar a intervenção nos fatores psicossociais do trabalho e por conseqüência na origem das queixas de saúde. Em termos práticos esses fatores psicossociais para serem compreendidos devem ser contextualizados inseridos nos processos de Gestão de Pessoas na dinâmica intra organizacional que sofre influência da alta competitividade entre empresas.  Através de breve revisão de literatura será discutida a importância da Gestão de Pessoas, nova denominação da área de Recursos Humanos, na capacitação em terapia ocupacional em saúde mental no trabalho com o intuito de 1) apontar caminhos para formulação de estratégias de intervenção organizacional, 2) assinalar o interesse da área pelas parcerias interdisciplinares e 3)discutir a necessidade da aproximação da terapia ocupacional com a mesma, a fim de explorar novas possibilidades de intervenção e de mercado em empresas. Em uma releitura de pesquisas de intervenção de terapia ocupacional em saúde mental no trabalho constatamos importantes habilidades de gestão de relacionamentos humanos, como os grupos de reflexão, de aprendizagem, e sensibilização e negociação com chefias e trabalhadores, muito valorizadas atualmente nos processos de Gestão de Pessoas. Portanto para uma efetivo diálogo com essa área de conhecimento é preciso que mais terapeutas ocupacionais se dediquem a pesquisas sobre o tema.

 Artigo completo em: 

 Cadernos de Terapia Ocupacional da UFSCar, Vol. 16, No 1 (2008)
 

A Relação Prazer e Sofrimento no Trabalho Em Serviço Público E O Desafio Da Reflexão Conjunta Entre A Gestão de Pessoas e a Saúde Mental no Trabalho *

Daniela Cristina dos Santos, Terapeuta Ocupacional/UFSCar, Pós Graduada MBA Gestão Estratégica de Pessoas/UNIMEP, Membro GEOGEP - Grupo de Pesquisa Estudos Organizacionais e Gestão com Pessoas/UNIMEP. Membro Laboratório de Saúde Mental e Trabalho/FCM/UNICAMP


Dalila Alves Corrêa, Doutora em Administração pela FEA/USP, Pesquisadora do Mestrado Profissional em Administração, Líder do GEOGEP- Grupo de Pesquisa Estudos Organizacionais e Gestão com Pessoas, Coordenadora do MBA Gestão Estratégica de Pessoas, UNIMEP


João Petrucio Medeiros da Silva,
Doutor Saúde Coletiva/UNICAMP, Mestre em Educação/UNICAMP, graduado em Ciências Sociais/UNICAMP,
Membro Laboratório de Saúde Mental e Trabalho/FCM/UNICAMP

Marcela Hipólito de Souza Silva,
Psicóloga, Pós-Graduada em Psicopatologia e Psicossomática, Pós-Graduação (aluna especial) em Saúde Coletiva/UNICAMP

*Trabalho aprovado no evento:


VI Colóquio Internacional de Psicodinâmica e Psicopatologia do Trabalho
I Congresso da Associação Internacional de Psicodinâmica e Psicopátologia do Trabalho


http://www.pdt2010.net/index.asp?ss=40

Em maio vocês poderão conhecer o artigo em maiores detalhes, pois sairá nos Anais de evento no fim de abril.
Aguardem!

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A aprovação deste trabalho neste importante evento, foi uma alegria para mim e os demais autores, após meses de trabalho árduo.

Ele nasceu de dois outros trabalhos, no qual um deles pode ser conferido aqui no blog http://danielasantosconsultoria.blogspot.com/2009/07/saude-mental-no-trabalho-e-gestao-de.html .

Mas a maior inspiração dele foi um trabalho premiado num evento interno da UNICAMP, em co-autoria com o João Petrucio (II SIMTEC- Simpósio dos Profissionais da UNICAMP,2008) com o mesmo tema, que recebeu Menção Honrosa. Este é um evento que a comunidade toda da UNICAMP participa com pesquisas e projetos acadêmicos e profissionais. No ano de 2008, haviam mais de 400 pôsters em diversos temas. Que me lembro dentro do tema especifico do nosso pôster (Administração e Gestão) haviam em torno de 150 trabalhos e o nosso ficou entre os 10 premiados.
E este prêmio que me motivou a arriscar um evento internacional, onde convidei os co-autores dos outros artigos a participarem comigo, além da queridíssima amiga Marcela Hipólito, que é uma excelente psicóloga daqui de Limeira (que vocês leitores já a viram ser citada algumas vezes aqui no blog).

Algo que me marcou na apresentação deste pôster foi a reação das pessoas diante dele, onde elas paravam e olhavam e depois diziam :"isto é verdade!", "é isto que precisamos". Mas me marcou muito uma moça que depois de olhar longamente o pôster me disse com um tom de pesar mais ou menos isso: "a Unicamp é uma grande desilusão para mim! Eu sonhei muito em um dia trabalhar aqui. Na cidade é uma instituição com prestígio, dá status trabalhar aqui, uma grande organização, mas depois que entrei vi que não era nada do que eu sonhei...."

Na sua essencia a Psicodinâmica do Trabalho nos ajuda a entender todo esta dinâmica de relações e sentimentos no contexto de trabalho. Falas como desta pessoa acima, todos nós em algum momento de nossa vida profissional já experimentamos, e de maneira bastante simples o adoecimento mental no trabalho tem haver com as possibilidades de resolução dessas emoções.

O maior aprendizado que tive na escrita deste trabalho, foi entender o que na visão de Dejours é o sofrimento no trabalho. Às vezes se tem uma visão de senso comum sobre este conceito como algo negativo, uma coisa árdua, etc, quando na verdade o sofrimento é um momento de confrontamento do individuo com a realidade. A pessoa pode caminhar para uma resolução saudável, quando pode questionar a realidade, se expressar, aprender, utilizar de forma plena seu potencial criativos, ou pode entrar em adoecimento mental ou psicossomatizações quando ela é obrigada a se calar, quando é rotulada como problemática ou doente diante de problemas que na verdade são falhas de gestão, quando os seus recursos internos e externos não são compatíveis com a realidade a ser lidada. Isto em linhas bem gerais.

Uma outra questão importante é que existe um fosso entre a academia e os profissionais de gestão na área pública no que se refere as práticas de saude mental no trabalho. A falta de dialogo entre as partes e a falta de visão de pesquisa por parte dos profissionais, faz com que as propostas não se efetivem, se limitando a nivel de sugestões. A Gestão de Pessoas no contexto público carece de maior interesse por parte dos pesquisadores, porém estudos apontam a administração pública uma área complexa de estudos, onde ao invés da relação com o capital, o que a norteia são as relações de poder. Dentro dos Estudos Organizacionais a Gestão Pública é interessantíssima, encanta no que tange ao conhecimento e também desencanta por suas verdades.......

O grande desafio da implantação de programas sérios de atenção e prevenção em Saúde Mental no Trabalho, é o que o sofrimento mental no trabalho e o adoecimento denunciam problemas em processos de gestão. Para quem conhece a área sabe que a Saúde Mental no Trabalho e a Gestão de Pessoas estão intrinsecamente ligadas, não se faz a primeira sem a segunda, sem questionar valores e cultura.

Para quem quiser entender melhor a Psicodinâmica do Trabalho e o processo de adoecimento mental no trabalho por esta perspectiva, postei dois artigos no blog que vale conferir:

http://danielasantosconsultoria.blogspot.com/2010/03/subjetividade-trabalho-e-acao.html

http://danielasantosconsultoria.blogspot.com/2010/03/transformacao-do-sofrimento-em.html

Boa leitura!

Dani


Espiritualidade do Trabalho e nas Empresas: uma Reflexão para a Gestão de Pessoas

Daniela Cristina dos Santos, Terapeuta Ocupacional, Pós-Graduada MBA Gestão Estratégica de Pessoas, Membro do GEOEP -Grupo de Pesquisa Estudos Organizacionais e Gestão com Pessoas-UNIMEP


Marcela Hipólito de Souza Silva, Psicóloga, Pós-Graduada em Psicopatologia e Psicossomática, Pós-Graduação (aluna especial) da Saúde Coletiva – UNICAMP.


RESUMO

O presente artigo discute a importância da busca de aprofundamento conceitual sobre a espiritualidade do trabalho e nas empresas a partir da perspectiva da Gestão de Pessoas. Trata-se de um ensaio teórico sobre o tema exposto e abrange obras de autores e pesquisadores atuantes na área. Busca-se fornecer ao leitor um espaço reflexivo, de modo que o sentido do trabalho possa ser evocado a partir do aprofundamento conceitual da temática.

Palavras-chave: espiritualidade nas empresas, gestão de pessoas, treinamento e desenvolvimento


[1] Trabalho apresentado no 7º. Congresso de Pós-Graduação na 7ª. Mostra Acadêmica, Tema: “Ciência, Tecnologia e Inovação: a Universidade e a Construção do Futuro”. Piracicaba-SP: UNIMEP. 10 a 12 de novembro de 2009. Publicado em Anais.


INTRODUÇÃO

Diante das rápidas mudanças que a sociedade tem passado nestes últimos anos, observa-se um movimento de questionamento e resgate de valores e de sentido da vida, diante de uma sociedade individualizada e desumanizante. A busca pela espiritualidade e suas diferentes formas de mediação e expressão têm ainda que discretamente, emergido como possibilidade de resposta nesta busca de sentido. O mundo do trabalho também passa por esta crise de valores e de sentido, de modo que são retratados por diversos sinais, tais como: aumento das doenças ocupacionais relacionadas à saúde mental (ex. estresse, depressão, burnout), o aumento do desemprego e do subemprego, a obsessão pelo desempenho e o lucro, bem como pelo maior interesse da área de Gestão de Pessoas por práticas como qualidade de vida no trabalho, estratégias de humanização de gestão, responsabilidade social, preocupação com satisfação no trabalho, entre outras.

A Espiritualidade nas Empresas é um assunto que de maneira discreta tem aparecido na literatura nacional acadêmica e profissional como solução para o aumento de produtividade, porém com sentido para o trabalhador. Está também relacionada como meio de se propiciar a felicidade do individuo em seu trabalho e em sua organização.

Apesar de em termos quantitativos ser baixa a produção nacional de pesquisas na área de Gestão de Pessoas sobre o tema, o tipo de publicações encontradas são suficientes para fornecer pistas de reflexão enquanto lacunas conceituais a serem mais bem exploradas, para análise e criação de estratégias de pesquisas empíricas, e oferecem um mínimo de material de apoio para diálogo formal em situação de ensino. Também apontam a necessidade da Gestão de Pessoas dialogar com outras áreas de conhecimento como as ciências da religião, a teologia, a sociologia e a filosofia, no sentido de se sair de uma visão periférica do tema para melhor compreensão com profundidade do sentido transcendente do homem, seu trabalho e o sentido da existência das empresas para a humanidade. A literatura ligada a sociologia, filosofia e teologia traz interessantes conceitos como o mundo pós-humano, onde a tecnologia se iguala ao ser humano enquanto status e o homem vai perdendo a noção de seu papel social e a noção de si mesmo (CADERNOS IHU EM FORMAÇÃO, 2008); a hipermodernidade que tem como princípios a valorização do indivíduo e do individualismo, a promoção do mercado como sistema absoluto de regulação econômica; e o desenvolvimento técnico-científico, concebido como solução para todos os anseios da humanidade; tudo isso inserido numa sociedade do hiperconsumo que leva ao mesmo tempo a aparente felicidade e conseqüente decepção (RAUPP, 2008); e a busca pela espiritualidade porém desinstitucionalizada (não aceitação doutrinaria) e individualista (SIQUEIRA, 2008). Estas áreas de conhecimento ajudam a entender que se o ambiente organizacional carece de sentido é porque o homem está perdido enquanto humano, sem saber o que fazer com todos os excessos conquistados (autonomia, consumo, poder, etc). E ajuda também a analisar qual é a contribuição do mundo organizacional enquanto “vilã” e “vitima” nesta crise de valores atuais.

A relevância deste trabalho se deve a busca da humanização das organizações e a espiritualidade estarem aparecendo como um elemento intermediador entre homem–trabalho-empresa, para garantia de felicidade e produtividade nas empresas. Porém há a necessidade de se incentivar que mais pesquisadores e profissionais da área se interessem pelo tema, explorando tanto um aprofundamento conceitual como a inclusão deste tipo de estudo na formação de futuros gestores. Isto porque conforme afirma Penteado et al (2007) a espiritualidade nas empresas pode estar voltada para o bem, mas também para o mal, quando está voltada para o dinheiro e tem como finalidade principal ou única o bem da empresa. E ainda Vasconcelos (2007) chama a atenção de que é preciso discernir se a espiritualidade não é mais um tema de modismo na área de administração. E esta colocação tem sentido uma vez que se associa a espiritualidade ao servir, porém pouco se questiona servir a quem e a quê.


OBJETIVOS:

A partir de reflexão teórica identificar possibilidades de aprofundamento conceitual sobre a espiritualidade do trabalho e nas empresas dentro da Gestão de Pessoas.


DESENVOLVIMENTO:

Metodologia: ensaio teórico desenvolvido a partir de revisão breve de literatura. O estudo, na qualidade de um ensaio teórico procedeu da coleta de dados secundários extraídos de obras de autores e pesquisadores atuantes na área de espiritualidade do trabalho e nas empresas.


Resultados e Discussão:

Para se entender a espiritualidade nas empresas é essencial o entendimento dos seguintes conceitos de base: o quê é o espírito, a espiritualidade e a espiritualidade do trabalho.

A palavra espírito é originada do latim spiritus e significa sopro, alento, exalação. Se refere a parte imaterial, intelectual e a alma do homem. (MORA, 2005). Já a espiritualidade envolve questões quanto ao significado da vida e à razão de viver, não limitado a tipos de crenças ou práticas religiosas. Está relacionada com experiências profundas, onde a pessoa entra em contato com o mais profundo do seu ser através de sentimentos que mobilizam o individuo internamente, mexem com sua identidade ,estruturam e redirecionam sua vida. É uma experiência subjetiva, muitas vezes compreensível apenas aqueles que a experimentaram e é difícil de expressar. A experiência espiritual pode ser comparada a uma forte experiência amorosa e tem como base a vivencia comunitária e a certeza de uma presença (Deus). (GONZÁLES-QUEVEDO, 2008; VASCONCELOS, 2006)

A função da espiritualidade é dar sentido para a vida e pode ser cultivada por vários caminhos tanto através de práticas religiosas como de atividades artísticas, esportes, engajamento em causas sociais, enfim, nas próprias experiências cotidianas. (BARCHIFONTAINE ,2007; VASCONCELOS, 2006). Um ponto que é importante ressaltar é que de acordo com Vasconcelos (2006) mesmo as crises e sofrimentos podem levar a uma experiência espiritual construtiva.

A espiritualidade do trabalho é pouco comentada de forma direta nos artigos consultados mas está ligada a importância do papel do trabalho na vida do homem. Trabalhar é uma necessidade intrínseca do homem, fonte de saúde mental, portanto é importante sempre estar atento em que condições ele acontece e como mudanças sociais e econômicas interferem nas condições em que este trabalho é realizado. (SANTOS, 2006). Por uma perspectiva teológica está relacionado com a dimensão vocacional do ser humano, um sentido profundo de missão em relação à humanidade. Através do trabalho o homem e a mulher participam da obra da criação, transformando-se a si mesmos, transformando o mundo, encontrando-se com os outros homens e também com Deus. Através do trabalho de suas mãos o homem se alimenta do pão do corpo e do espírito (conhecimento, ciência, tecnologia, etc). O trabalho é composto por ação e repouso, portanto estes dois momentos devem ser contemplados, pois o repouso permite a pessoa a entrar em seu espaço interior. (JOÂO PAULO II, 2005)

A espiritualidade nas empresas ou no trabalho/ambiente de trabalho é definida como a tomada de consciência da empresa da razão de sua existência e sua missão diante de clientes e funcionários. Para tanto existe uma unanimidade entre os autores consultados que a empresa que vive sua dimensão de espiritualidade tem que rever seus valores morais e éticos estando voltada a serviço da vida. Seu rol de valores e crenças que determinam a formulação de suas políticas de gestão.( PENTEADO, et al. 2007; REGO, CUNHA e COUTO, 2007; BARCHIFONTAINE, 2007) Um destaque especial é dado na relação da empresa com seu funcionário, onde a este tem que ter respeitada sua singularidade, sua vida interior e a organização deve oferecer meios para a vivencia e expressões da espiritualidade dos mesmos, bem como a sua realização vocacional e sentido de vida (PENTEADO, et al, 2007; REGO, CUNHA e COUTO, 2007). Para que isso seja favorecido Rego, Cunha e Couto (2007) propõem as seguintes dimensões da espirtitualidade: sentido de comunidade; alinhamento do indivíduo com os valores da organização; sentido de serviço à comunidade (trabalho com significado); alegria no trabalho; oportunidades para a vida interior. Ainda nesta relação com o funcionário. PENTEADO et al. (2007) traz que diferentemente da cultura que vem de fora para dentro, a espiritualidade é algo que parte do interior da pessoa e que se faz importante o desenvolvimento também da inteligência espiritual que é aquela que ajuda a entender a si próprio e a organizar aquilo que é emocional e racional. Enquanto forma de incentivo da espiritualidade no ambiente de trabalho no que se refere a religião há um consenso entre os autores consultados de não associá-la a vivencia de religião no sentido confessional/doutrinário, pelo contrário há a preocupação de se delimitar espaços da vivencia religiosa e da espiritualidade no trabalho. No entanto Vasconcelos (2007) afirma que apesar de não ser papel da empresa o desenvolvimento da espiritualidade no seu sentido amplo (cabe as religiões) a empresa tem o poder de mudar para melhor o mundo e a vida das pessoas. O mesmo autor citando Oliveira (2001, p.117) argumenta que a empresa e a religião têm papéis complementares “onde as religiões mostram o caminho, ensinam o respeito e o amor ao próximo e ensinam a orar; as empresas dão a oportunidade de trilhar o caminho, a oportunidade de amar e respeitar o próximo e a oportunidade de arar”, que pode ser entendido no seu sentido literal de arar a terra, ou seja, ir à prática e através do trabalho transformar, cultivar e favorecer o surgimento de vida na terra potencialmente fértil, que aqui simboliza o funcionário. Nesta mesma direção o Papa João Paulo II em sua Encíclica Laborem Exercens faz afirmação semelhante ao dizer que não cabe a Igreja a análise cientifica das conseqüências das transformações do mundo do trabalho no convívio humano, porém cabe a ela “fazer com que sejam sempre tidos presentes a dignidade e os direitos dos homens do trabalho, estigmatizar as situações em que são violados e contribuir para orientar as aludidas mutações, para que se torne realidade um progresso autêntico do homem e da sociedade.” (JOÃO PAULO II, 2005, p.9)

Quanto ao papel da Gestão de Pessoas nesta temática cabe um olhar direcionado a formação de líderes, como chama a atenção Penteado et al (2007) e Vasconcelos (2007) considerando tanto as características de espiritualidade presentes no mesmo como tranqüilidade, nível de consciência diferenciado, perfil cooperativo e não competitivos que favorece ambientes de trabalho melhores e mais produtivos, bem como entender as estratégias de liderança utilizadas para lidar com a espiritualidade dos funcionários. A base da espiritualidade é a vivencia de valores éticos e considerando que o líder por excelência é quem tem a função de disseminar valores e incentivar condutas éticas no trabalho, este deve ser o primeiro foco de investimento e atenção quando se pensa a espiritualidade no contexto de trabalho.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme os autores pesquisados muito ainda há para se estudar sobre o tema e fazendo coro a Vasconcelos (2007), um dos desafios da área são os estudos de avaliação de influencia da espiritualidade em temas como absenteísmo, turnouver, burnout (síndrome do esgotamento profissional), satisfação no trabalho, clima. Portanto para o tema ganhar a visibilidade que merece são necessárias muito mais pesquisas. A espiritualidade é um tema que não deve se limitar apenas a esfera intelectual na Gestão de Pessoas, porque é um tema complexo que exige uma leitura sensível da realidade e uma disponibilidade intelectual para leituras acadêmicas complexas, mergulhos profundos na subjetividade e posteriormente questionar seus próprios valores como pessoa e profissional. Neste sentido cabe o desafio de se pensar estratégias para desenvolver os profissionais de Gestão de Pessoas neste tema, para que a espiritualidade do trabalho e nas empresas ao invés de via de reflexão e crescimento não acabe correndo o risco de se tornar mais um produto de consumo na área. E ainda questionar se este tema de fato tem aparecido na formação dos profissionais. A falta de pesquisas na área pode ser inclusive reflexo da ausência do tema na grade curricular dos cursos de formação.

Por fim, a espiritualidade no contexto de trabalho é anterior a organização, então cabe refletir quais os valores que permeiam nossas vivências, haja vista que a criação de filhos, vivências familiares, comunitárias, religiosas, entre tantas, alteram, transformam e significam o sentido do trabalho.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BARCHIFONTAINE, C.P. Espiritualidade nas empresas. O Mundo Da Saúde. abr/jun 31(2). 2007, p. 301-305

CADERNOS IHU EM FORMAÇÃO. A sociedade de pós-humana - A superação do humano ou a busca de um novo humano? Ano 4 Nº 29 2008

Disponível em : http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_publicacoes&Itemid=20&task=edicoes_anteriores&id=3 Acesso em 12/02/2009

GONZÁLEZ-QUEVEDO, L. O que é o encontro espiritual na vida cotidiana. In: ESPIRITUALIDADE CRISTÃ NA PÓS-MODERNIDADE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS. Palestra. S.Leopoldo: RS. UNISINOS . 2008. Mimeografado

JOÃO PAULO II, PAPA. Carta Encíclica sobre O Trabalho Humano- “Laborem Exercens”. 13ª. Ed. São Paulo: Paulinas. 2005.

MORA, J.F. Dicionário de Filosofia Tomo II (E-J). 2ª. Ed. São Paulo: Ed. Loyola. 2005 p.887

PENTEADO, J.R.W. et al. Mesa-redonda sobre a espiritualidade nas empresas. Revista da ESPM. vol 14, ano 13, ed. n. 1 jan/fev 2007. p.94-108

RAUPP, S.R. Ser humano cristão nos dias atuais. In: SOTER (org.).21o. Congresso Anual da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião – Soter Edição digital – e book Paulinas 2008 , p.470-481

REGO A., CUNHA M. P.; SOUTO, S. Espiritualidade nas organizações e comprometimento organizacional. Rae-eletrônica, v. 6, n. 2, art. 12, jul./dez. 2007 http://www.rae.com.br/eletronica/index.cfm?FuseAction=Artigo&ID=3840&Secao=ARTIGOS&Volume=6&Numero=2&Ano=2007

SANTOS, D. C. A promoção da saúde mental no trabalho inserido em processo de gestão de pessoas em uma organização escolar. Monografia. (Especialização em Gestão de Pessoas). Curso de Pós-Graduação lato-sensu em Gestão de Pessoas. Universidade Metodista de Piracicaba. Piracicaba-SP. 2006

SIQUEIRA, D. O labirinto religioso ocidental. Da religião à espiritualidade. Do institucional ao não convencional. Sociedade e Estado, Brasília, v. 23, n. 2, p. 425-462, maio/ago. 2008

VASCONCELOS, A. F. Espiritualidade no ambiente de trabalho: muito além do fad-management. Revista da ESPM. vol 14, ano 13, ed. n. 1 jan/fev 2007. p. 110-123

VASCONCELOS, E. M. (org) A espiritualidade no trabalho em saúde. São Paulo: Editora Hucitec, 2006.



De Qual "Pão" Você Se Alimenta? Qual "Pão" Você Oferece?


Enquanto revisava materiais para um artigo que estou preparando, o seguinte trecho da Enciclica LABOREM EXERCENS-sobre o Trabalho Humano (Papa João Paulo II,1981) me chamou a atenção:

“Se é verdade que o homem se sustenta com o pão granjeado pelo trabalho das suas mãos — e isto equivale a dizer, não apenas com aquele pão quotidiano mediante o qual se mantém vivo o seu corpo, mas também com o pão da ciência e do progresso, da civilização e da cultura — então é igualmente verdade que ele se alimenta deste pão com o suor do rosto; isto é, não só com os esforços e canseiras pessoais, mas também no meio de muitas tensões, conflitos e crises que, em relação com a realidade do trabalho, perturbam a vida de cada uma das sociedades e mesmo da inteira humanidade.”

Ocorreu-me pensar que em muitas situações de trabalho será que estamos comendo, ou ainda, servindo “o pão que o diabo amassou?” Comecei a refletir sobre QUE PÃO ESTAMOS OFERECENDO EM NOSSO AMBIENTE PROFISSIONAL? Em especial àqueles que de alguma forma são nossos subordinados ou dependem de nossos serviços : funcionários, pacientes, alunos, etc.

Nem sempre o pão nutre, nem sempre é capaz de saciar a fome, porém sempre é alimento em potencial. Quando os ingredientes entram em relação através de mãos habilidosas e são transformados pelo calor de um forno, todas as suas propriedades latentes se estruturam e podem então promover a vida.

Uma outra situação onde o pão deixa de ser alimento pleno é quando agredido pela secura do ambiente perde seu frescor, altera seu paladar, tornando-se algo duro, que machuca, que só é engolido por força da necessidade e em situação de sofrimento. E novamente o pão para voltar a ser alimento tem que primeiro recobrar a sua própria vida se deixando banhar e aquecer.

No meio da crise que o mundo do trabalho atravessa (vide o aumento das doenças mentais relacionadas ao trabalho, o desemprego, o sub emprego, entre outros) fazendo tão atuais as palavras do Papa escritas há quase 30 anos, algo de bom pode ser tirado. A crise nos põem em contato com nossos limites e nos obriga a olhar para além de nós mesmos e nossos interesses. Lembrar que somos finitos. E reconhecer que o trabalho só se transforma em “pão” que nutre espirito, intelecto e corpo (nesta ordem!) quando se assume que só há “Pão se for nosso” e nos abrimos a pedir a cada dia o alimento que vem do Céu.

O pão não se faz sozinho.......precisa da mão habilidosa, do forno que aquece e da água que o revigora.

Que “pão” você oferece? Depende de quem vc permite que lhe sove........

Daniela

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